15.4.06

Irritando a mim mesmo

Não faz muito tempo que comecei a acompanhar esse canal de TV paga, o GNT. Canalzinho simpático até. Bem feminino, repleto de programas de conversação, sentimentalidades e assuntos tanto complicados quanto fúteis. Coisas que eu realmente gosto, mas que ainda tenho certo receio de assumir para mim mesmo. Mas, enfim, nada como a solidão, a ressaca e a insônia para nos mostrarem de verdade quem somos de verdade.

Pois então, eu já tinha notado a presença da moça aí da foto no referido canal (num programa fim de carreira da Rita Lee, um que leva nome de bruxa, personagem de HQ ou coisa do tipo). E a primeira impressão foi definitvamente péssima. Puta que pariu. Sujeitinha boçal. Fala e entorta a boca. Cheia de tatuagens, maquiagem extravagante, metais pelo corpo, aquele tipo de mulher moderna que acha que no sexo é ela quem come o homem, e não o contrário. Enfim, passa bem perto de tudo aquilo que eu menos procuro nas mulheres.

Mas o tempo é o tempo e a ocasião faz o ladrão. Estava eu assistindo a outro programa do mesmo canal no qual ela era apenas coadjuvante. Aliás, suspeito que ela fique melhor nesta função. Pois bem, o programa colhia depoimentos dos convidados sobre as tentações sexuais da vida adulta, onde cada um dava uma opinião aqui e acolá em aparições cíclicas. E como a onda agora é ir contra a moral e os bons costumes, vários convidados falaram que isso é normal, que o importante é aproveitar a vida, deixar os hormônios trabalharem etc. Na verdade, acho que ali todos eram especialistas nas ciências da sacanagem com mestrado em orgias e tudo mais. E eu já podia até imaginar o que ela, a moça da foto, iria dizer a respeito disso tudo.

Sim, porque na minha cabeça, uma mulher contemporânea como ela, feminista que só ela, cheia de posições firmes e de bandeiras sexuais levantadas como ela iria, no mínimo, bradar de peito cheio (de orgulho, não de silicone) já ter-se entregue a dezenas de aventuras simplesmente pelo exercício da liberdade sexual (aquela que chegou com os hippies e foi embora com a AIDS). Que faz parte da nossa condição animal e que ela é que não iria lutar contra seus próprios desejos. Que a auto-repressão sexual é a causa dos maiores males psicológicos do terceiro milênio. E mais um monte de coisa que eu nem posso imaginar. Isso se não fosse além e apregoasse a libertinagem total e pagã. Homo, bi, pluri, pan-sexualidade. Todo mundo nu!

Mas não. Para a minha surpresa, ela foi a única no programa a dizer com todas as letras que jamais cedeu a tentações e que, apesar de se sentir uma estranha por isso, nunca fez sexo casual. Que, para ela, embarcar em aventuras é tentar repetir fases da vida que já passaram. Ou seja, que a putaria generalizada é sintoma de imaturidade.

É isso aí, Fernanda Young! Acho que você já não me irrita tanto.

2 comentários:

natalia brabo disse...

Não precisa nem chegar aos trinta para chegar nessa conclusão. Nhém.

Rafael disse...

Não tenho tevê paga e portanto pouco sei dos programas que nela passam. Mas dia desses zapeei naquela rodinha de conversa entre mulheres-bem-resolvidas-que-fazem-charme-falando-de-sexo-anal-e-similares, e que conta com a presença de Luana Piovani, a gostosa mais ruim do Brasil. E eis que ela diz que o melhor Dia dos Namorados dela foi em uma boate gay, cheia de amigos solteiros (como ela), e onde ela encontrou "Caetano" (isso mesmo, sem sobrenome). "Todos os meus Dias dos Namorados foram horríveis", diz a moça. Duas conclusões: 1) Caetano é mesmo bicha. 2) Luana Piovani é tão chata que só passa o 12 de junho sozinha - e não por opção.