13.9.06

Nascida para lucrar

Viajar de avião está cada dia pior. Preços nas alturas, programas de fidelidade excessivamente restritivos, filas imensas, comida intragável, vôos superlotados... Acho que ônibus tá valendo mais a pena. Sinceramente, se o meu destino não estivesse a tantos milhares de quilômetros, eu juro que me aventuraria nessa jornada.

O último pecado que paguei foi nesse feriado da pátria. Esperei quase uma hora numa fila de check in porque, segundo os funcionários da empresa, o sistema de auto-atendimento estava "com problema". Novidade...sempre está! Pra completar a pegadinha, a loja da empresa estava aberta, mas nem adiantava ir lá pedir um help porque eu sei (já perguntei outras vezes) que eles não fazem check in. Ou seja, eu não tinha uma pena pra colocar no bagajeiro do teco-teco, mas tive de aturar essa e achando bom. Bom porque eu mal sabia, mas o lugar que me esperava era aquele na frente da saída de emergência. Aquele que não tem um centímetro a mais pra pernas, mas também não reclina um grauzinho sequer. E o mais indignante é que o ticket de embarque já tava emitdo. Isso mesmo, sem opção de lugar. Tipo, não chora não que pelo menos tu vais voar.

E a gente ainda paga uma cacetada pra experimentar essas coisas...

2.9.06

Quando não somos parte de nada

Um dia todos nós ouvimos falar que os amigos de faculdade são os que ficarão pra vida toda. Talvez isso seja verdade para a maioria das pessoas, talvez seja apenas mais um clichê construído sobre os roteiros batidos de Hollywood. O certo é que antes de chegarmos à universidade, duvidamos totalmente disso e declaramos, cheios de orgulho genuíno, serem os atuais amigos os melhores, os amigos de verdade, os companheiros para sempre.

No primeiro grau, por exemplo, temos aquele amigo que trocamos confidências sobre a menina que cada um é a fim. Às vezes, é a mesma menina e ainda assim é ótimo poder falar dela. Acho que não podemos esquecer desses amigos, podemos? Um momento especial como esse, o início dos namoros, dos ficas, dos bilhetinhos de amor. Tudo isso foi compartilhado com aquele brother que, passados apenas alguns anos, nós já nem sabemos por onde anda.

Em seguida, no segundo grau, os amigos se parecem mais conosco. Os nerds estudam e falam sobre tecnologia. Os pegadores põem piercings e colecionam as meninas mais cobiçadas do colégio. Os intelectuais ouvem indie e discutem blogs de conteúdo duvidoso. E nesse momento crítico de concepção psicológica individual é maravilhoso poder se enxergar nos amigos e ter um ponto de apoio, principalmente quando a família parece tão distante. Passado algum tempo, o destino dessas pessoas também é um mistério. Surgem boatos de que alguns foram estudar na Europa, outros são altos executivos nos maiores centros econômicos do mundo, enquanto alguns não chegaram à universidade.

E quando a faculdade chega, todos miram-se numa só coisa: conseguir um emprego e começar a ganhar dinheiro. E aí as panelas são as do local de trabalho. O grupo da empresa A, da empresa B, do órgão público C. Trabalho, faculdade, trabalho da faculdade... São os cinco anos mais rápidos da vida. Quando vemos, já foi. E novamente, as pessoas somem. Assim, abruptamente. Migração em massa em busca de um horizonte melhor, mais bonito.

E aí...

Aí não temos mais amigos. Ou pelo menos não da maneira que estávamos acostumados. Aí descobrimos que além de nenhum grupo de amigos durar para sempre, há um momento (e, pqp, estamos vivendo esse momento) em que não temos nenhum grupo de amigos. Aí somos adultos e já era, acabou a magia da adolescência. Quem curtiu, curtiu, quem não curtiu, perdeu. Encontram-se amigos, é verdade, mas já não somos mais prioridade na vida de nenhum deles. E percebemos que, se quisermos alguém para sempre, não devemos procurar amigos. Então, alguns casam, outros resistem e continuam vivendo a ilusão de que a brincadeira não acabou. Alguns aceitam a mudança e amadurecem de verdade, outros apenas sofrem.

Bom, os amigos da faculdade não duram para sempre. Acho que nada, né?