A alma de uma geração se reconhece através de ícones. Sejam eles sociais, culturais ou políticos, o que nos torna elementos de uma tribo não é nada mais senão as lembranças que teremos das coisas do nosso tempo. Pode parecer que sim, mas insisto que não é óbvio perceber o valor dessas coisas.
Fácil é pensar que tudo envelhece mesmo e que, uma hora ou outra, cada um de nós será apenas uma memória na cabeça dos nossos amigos e parentes. Errado. Seremos lembrança não somente para as pessoas que nos conheceram, mas também para todas as que co-existiram ativa ou silenciosamente em nossa trajetória. Fomos protagonistas nas nossas próprias vidas, mas coadjuvantes nas de milhares.
O mais curioso, no entanto, é que como não somos capazes de vivenciar tudo o que acontece no mundo simultaneamente, há sempre coisas que nossa geração viveu e que não estávamos presentes. Ou seja, é como se houvesse, na verdade, vários tempos ao mesmo tempo. Enquanto você farreava com a galera, sua quase futura ex-namorada conhecia outro cara, com quem casaria anos mais tarde. Mas esse cara um dia vira seu funcionário e décadas depois, numa pelada de fim de semana, você fica sabendo o que aconteceu naquela noite em que você preferiu sair com os amigos.
E aí é como se o tempo voltasse e você então se dá conta de que aquele tempo, aquele tempo que é seu, que você conhece tintim por tintim, aquele tempo não é só seu, nunca foi, e você, você não conhece nada daquele tempo. Você estava ocupado demais com o seu próprio mundo e agora você está sendo apresentado a um fato novo, porém velho. Todo mundo viu, só você não.
Trinta anos depois da faculdade, você descobre que poderia ter-se engajado num movimento político contra as emissões de carbono ou que poderia ter feito daquela banda que hoje todos citam como referência da sua geração a sua própria trilha sonora. Que tinha um cara, que morava na mesma rua que você, gente boa até, que viria entrar pra Academia de Letras e você bem que poderia ter divido uma mesa de bar com ele uma vez ou outra.
É. Você não aproveitou o melhor do seu tempo, loser! Perdeu tempo rindo do que não tinha graça, reclamando da vida que não tinha jeito e falando de bobagens que não serviam pra nada.
Mas há tempo. Acredito que diante desta consciência dos tempos individuais e coletivos paralelos, deve ser comum sentir saudade do tempo que você viveu, mas que não deu tempo de viver tudo o que queria.
Fácil é pensar que tudo envelhece mesmo e que, uma hora ou outra, cada um de nós será apenas uma memória na cabeça dos nossos amigos e parentes. Errado. Seremos lembrança não somente para as pessoas que nos conheceram, mas também para todas as que co-existiram ativa ou silenciosamente em nossa trajetória. Fomos protagonistas nas nossas próprias vidas, mas coadjuvantes nas de milhares.
O mais curioso, no entanto, é que como não somos capazes de vivenciar tudo o que acontece no mundo simultaneamente, há sempre coisas que nossa geração viveu e que não estávamos presentes. Ou seja, é como se houvesse, na verdade, vários tempos ao mesmo tempo. Enquanto você farreava com a galera, sua quase futura ex-namorada conhecia outro cara, com quem casaria anos mais tarde. Mas esse cara um dia vira seu funcionário e décadas depois, numa pelada de fim de semana, você fica sabendo o que aconteceu naquela noite em que você preferiu sair com os amigos.
E aí é como se o tempo voltasse e você então se dá conta de que aquele tempo, aquele tempo que é seu, que você conhece tintim por tintim, aquele tempo não é só seu, nunca foi, e você, você não conhece nada daquele tempo. Você estava ocupado demais com o seu próprio mundo e agora você está sendo apresentado a um fato novo, porém velho. Todo mundo viu, só você não.
Trinta anos depois da faculdade, você descobre que poderia ter-se engajado num movimento político contra as emissões de carbono ou que poderia ter feito daquela banda que hoje todos citam como referência da sua geração a sua própria trilha sonora. Que tinha um cara, que morava na mesma rua que você, gente boa até, que viria entrar pra Academia de Letras e você bem que poderia ter divido uma mesa de bar com ele uma vez ou outra.
É. Você não aproveitou o melhor do seu tempo, loser! Perdeu tempo rindo do que não tinha graça, reclamando da vida que não tinha jeito e falando de bobagens que não serviam pra nada.
Mas há tempo. Acredito que diante desta consciência dos tempos individuais e coletivos paralelos, deve ser comum sentir saudade do tempo que você viveu, mas que não deu tempo de viver tudo o que queria.
Então, imploro a todos os cérebros funcionais desta geração que prestem atenção aos nossos ícones, às pessoas e coisas que vão nos representar para sempre, pois um dia nossos filhos nos perguntarão sobre tudo isso e seria uma vergonha não ter nada a dizer.
1 comentários:
Muito bom.
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